segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Médico Roberto Kikawa, criador das Carretas da Saúde, é morto a tiros em São Paulo




O médico Roberto Kunimassa Kikawa, 48, foi morto na noite desse sábado (10) durante um assalto, na zona sul de São Paulo. Gastroenterologista, ele fundou o Cies Global em 2008 para levar atendimento médico especializado a comunidades carentes.

Integrante da Rede Schwab de Empreendedores Sociais e da Rede Folha, Kikawa foi reconhecido como vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2010 por sua inovação ao construir unidades móveis de exames dentro de carretas.

+ Bando ateia fogo em ônibus na Baixada Fluminense e deixa 15 feridos

Ele voltava de um jantar com sua equipe e deixava um funcionário em casa. Quando o carro estava parado em frente ao prédio, foi abordado por duas pessoas, que, com arma em punho, ordenaram que ele saísse do carro. Como era de seu feitio, Kikawa saiu e pediu calma aos assaltantes, que dispararam dois tiros, sendo o segundo fatal.

Apenas em São Paulo, o Cies foi responsável por 54% dos exames de imagem com médicos especialistas feitos em 2017 pelo SUS, sistema que ele defendia.

"O SUS é viável", afirmou em sua última entrevista concedida à Folha de S.Paulo durante o Fiis (Festival de Inovação e Impacto Social), na segunda-feira (5). "É importante que a gente entenda o SUS, de ter essa rede integrada. Nada adianta eu trazer uma carreta para fazer uma mamografia, detectar o nódulo, e essa pessoa ficar frustrada e falar: 'Tá bom, doutor, o que eu faço com isso?'."

Também falou sobre o papel do terceiro setor no fortalecimento do sistema público: "A gente é ponte e precisa trazer essa ponte para o governo, trazer a iniciativa privada junto, para que ele possa entender a questão de uma gestão eficiente, respeitosa, onde o governo possa regular. Essa é a função dele na saúde: regular, auditar e controlar", disse.

"E, se a gente consegue operar para o governo, ajudá-lo e trazer a iniciativa privada para auxiliar, a gente tem um sistema de saúde sustentável."

Paulistano, Kikawa escolheu a carreira na medicina ainda na infância, quando era escoteiro e aprendeu a cuidar de pessoas. Aos 13, quando quebrou o pé durante os treinos de futebol de salão e ficou imobilizado por três meses, desenvolveu a habilidade de transformar problema em oportunidade. Começou a jogar xadrez inspirado pelo pai.

O progenitor foi sua grande inspiração e incentivador. Durante o período da faculdade em Londrina (PR), seu pai teve câncer. Kikawa conseguiu acompanhar o tratamento em São Paulo por causa de uma greve no campus. A despedida foi a maior motivação da sua vida: "Quero que você me prometa que será médico. Um médico amoroso, que entenda bem o doente", disse o pai na última conversa.

Após o adeus e de volta ao Paraná, decidiu cursar teologia para ser missionário na África, mas uma grave infecção renal o impediu. A carreira como cirurgião-geral também foi interrompida, desta vez por um tremor nas mãos. Ainda assim, Kikawa mantinha sua firmeza de propósito.

No Hospital Sírio-Libanês, voltou sua atenção aos pacientes sem perspectivas de cura e à endoscopia. E descobriu as "Áfricas" da periferia paulistana. Surgiu, assim, a ideia do sistema móvel para exames preventivos, que evoluiu para unidades que também realizam cirurgias.

Roberto Kikawa deixa a mulher, a oftalmologista Mirna, e dois filhos, Daniel e Ana. Com informações da Folhapress.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Médico Roberto Kikawa, criador das Carretas da Saúde, é morto a tiros em São Paulo




O médico Roberto Kunimassa Kikawa, 48, foi morto na noite desse sábado (10) durante um assalto, na zona sul de São Paulo. Gastroenterologista, ele fundou o Cies Global em 2008 para levar atendimento médico especializado a comunidades carentes.

Integrante da Rede Schwab de Empreendedores Sociais e da Rede Folha, Kikawa foi reconhecido como vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2010 por sua inovação ao construir unidades móveis de exames dentro de carretas.

+ Bando ateia fogo em ônibus na Baixada Fluminense e deixa 15 feridos

Ele voltava de um jantar com sua equipe e deixava um funcionário em casa. Quando o carro estava parado em frente ao prédio, foi abordado por duas pessoas, que, com arma em punho, ordenaram que ele saísse do carro. Como era de seu feitio, Kikawa saiu e pediu calma aos assaltantes, que dispararam dois tiros, sendo o segundo fatal.

Apenas em São Paulo, o Cies foi responsável por 54% dos exames de imagem com médicos especialistas feitos em 2017 pelo SUS, sistema que ele defendia.

"O SUS é viável", afirmou em sua última entrevista concedida à Folha de S.Paulo durante o Fiis (Festival de Inovação e Impacto Social), na segunda-feira (5). "É importante que a gente entenda o SUS, de ter essa rede integrada. Nada adianta eu trazer uma carreta para fazer uma mamografia, detectar o nódulo, e essa pessoa ficar frustrada e falar: 'Tá bom, doutor, o que eu faço com isso?'."

Também falou sobre o papel do terceiro setor no fortalecimento do sistema público: "A gente é ponte e precisa trazer essa ponte para o governo, trazer a iniciativa privada junto, para que ele possa entender a questão de uma gestão eficiente, respeitosa, onde o governo possa regular. Essa é a função dele na saúde: regular, auditar e controlar", disse.

"E, se a gente consegue operar para o governo, ajudá-lo e trazer a iniciativa privada para auxiliar, a gente tem um sistema de saúde sustentável."

Paulistano, Kikawa escolheu a carreira na medicina ainda na infância, quando era escoteiro e aprendeu a cuidar de pessoas. Aos 13, quando quebrou o pé durante os treinos de futebol de salão e ficou imobilizado por três meses, desenvolveu a habilidade de transformar problema em oportunidade. Começou a jogar xadrez inspirado pelo pai.

O progenitor foi sua grande inspiração e incentivador. Durante o período da faculdade em Londrina (PR), seu pai teve câncer. Kikawa conseguiu acompanhar o tratamento em São Paulo por causa de uma greve no campus. A despedida foi a maior motivação da sua vida: "Quero que você me prometa que será médico. Um médico amoroso, que entenda bem o doente", disse o pai na última conversa.

Após o adeus e de volta ao Paraná, decidiu cursar teologia para ser missionário na África, mas uma grave infecção renal o impediu. A carreira como cirurgião-geral também foi interrompida, desta vez por um tremor nas mãos. Ainda assim, Kikawa mantinha sua firmeza de propósito.

No Hospital Sírio-Libanês, voltou sua atenção aos pacientes sem perspectivas de cura e à endoscopia. E descobriu as "Áfricas" da periferia paulistana. Surgiu, assim, a ideia do sistema móvel para exames preventivos, que evoluiu para unidades que também realizam cirurgias.

Roberto Kikawa deixa a mulher, a oftalmologista Mirna, e dois filhos, Daniel e Ana. Com informações da Folhapress.

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